Trupe Artemanha – 20 Anos Revelando Artemanhas

 

Processos

Maria de Rua, Maria Guerreira, Maria Medeia!

MARIAS… Medeia é somente um pretexto! Marias Medeias, simplesmente Marias! Marias, Joanas, Rosas, Margaridas, Olgas, Fridas, Annes, Bárbaras e tantas outras “Marias” anônimas que simplesmente sumiram!

Há quem tenha vivido grandes revoluções culturais, sociais e econômicas; há quem tenha vivido momentos de grandes transformações, nos quais tiveram que pegar em armas, levantar bandeiras, fugir, mudar de nome, calar-se ou sentir no seu corpo as marcas da luta pela liberdade de uma nação.

Quem são essas pessoas que a história não exalta?

Quem são essas que sentiram o sofrimento de filhos, de maridos e de um povo?

Quem são essas que negaram sua fragilidade e sensibilidade para endurecer-se e enfrentar com dedicação e força, simplicidade e equilíbrio o desmande de um estado repressor?

O espetáculo “Maria de Rua, Maria Guerreira, Maria Medeia” tem como plataforma estética o fazer teatral sustentado pela narrativa que cumpre o papel de denúncia, e não como forma de um realismo reproduzido, para que o espectador cumpra sua função como analisador e não como envolvido. A opção pela narrativa épica brechtiniana possibilita uma abordagem atemporal sobre o tema dos anos de ditadura militar no Brasil, a partir do contexto feminino. Um processo de contemplação de ações e reações instigadas por memórias desta época e com questionamentos de admiráveis mulheres, atrizes, militantes, guerrilheiras e donas de casa. Entrelaçando questionamentos do espaço da mulher na sociedade contemporânea.

É nesse contexto que as mulheres vêm travando uma luta incessante contra uma sociedade comandada, muitas vezes, pelo machismo, como também contra o grande bombardeio midiático de músicas e propagandas que fortalecem o discurso pejorativo e desvalorizante da imagem da mulher.

Assim, o processo de montagem de “Maria de Rua, Maria Guerreira, Maria Medéia” busca o empoderamento do espaço e da história de mulheres que vivenciaram o período militar no Brasil. No entanto, para que isso aconteça é necessário refletir sobre a vida das mulheres de 1964, contextualizando-a partir da visão das mulheres contemporâneas. Duas castas de mulheres, opostas e ao mesmo tempo tão iguais, onde o que as distanciam é, por muitas vezes, o tempo cronológico. Em um passado, mulheres militantes e guerrilheiras, que lutaram contra o sistema opressor e pagaram por estarem do lado oposto a este; como também mulheres caladas, subservientes e igualmente maltratadas por maridos, filhos ou pais militares. Num presente, mulheres trabalhadoras, independentes e decididas; como também mulheres alheias, com um pseudo sorriso estampado no rosto, de uma alienação fascinante e facilmente reconhecidas nas cenas de novelas e revistas.

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